Buen Camino Albergues brasileiros no Caminho de Santiago

Published on | by Suzana

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Albergues brasileiros no Caminho de Santiago

Para nós, brasileiros, ter uma referência da nossa terra em solo estrangeiro é muito reconfortante. Se só de ver um conterrâneo com a bandeira verde e amarela na mochila nós já fazemos a maior festa, imagina então ser acolhido em albergues brasileiros no Caminho de Santiago?

Dá pra contar nos dedos os hotéis ou albergues que marcam uma viagem. Eles são o suporte que nós precisamos ao fim de um longo dia, quando já estamos cansados e tudo o que desejamos é um chuveiro e uma cama. Durante o Caminho de Santiago, essa necessidade se multiplica, já que o desgaste é muito maior por causa do sol, da chuva, do frio e de caminhar tantas horas seguidas com a mochila nas costas. São cerca de 30 lugares para dormir diferentes ao longo de um mês inteiro, uma maratona digna de uma medalha de ouro e que requer paciência e espírito peregrino para poder conviver com roncos e pessoas do mundo inteiro – e os seus costumes.

No Caminho de Santiago há muita diferença entre os albergues gerenciados por pessoas ativas e aqueles outros que você acaba nem conhecendo direito a pessoa que fez o seu check in e carimbou a sua credencial. De quantos albergues você consegue se lembrar, assim, sem recorrer ao seu diário para ler as anotações? Arrisco dizer que você se lembra daqueles que te trataram diferente, não como apenas um hóspede mas como um ser humano com suas necessidades, das mais básicas às mais peculiares. Eu me lembro, por exemplo, de uma hospitaleira que me emprestou o seu secador de cabelos quando me viu no sol frio do mês de maio tentando secá-los ao final do dia. Também me lembro dos albergues que ofereciam janta comunitária e fomentavam um ambiente amigo e fraterno, onde os hospitaleiros eram os responsáveis por deixar-nos confortáveis e felizes durante a nossa estadia.

Albergues brasileiros

Confira a seguir os albergues com um toque brasileiro no Caminho de Santiago:

Albergues brasileiros do Caminho de Santiago

Foto: Refúgio Acacio & Orietta

Refúgio Acacio & Orietta

Cidade: Viloria de La Rioja

Camas: 10

Telefone: +34 947 58 52 20

Reservas aqui

Esse refúgio existe desde 2006 e ficou conhecido porque foi apadrinhado por Paulo Coelho. Acácio foi uma espécie de guia do escritor quando este esteve no Caminho pra gravar um documentário para a televisão japonesa e, em troca, Paulo Coelho ajudou com a reforma da casa onde hoje funciona o albergue. Acácio é brasileiro e Orietta é italiana, e os dois se conheceram enquanto faziam o Caminho de Santiago em 1999. Por ter sido voluntário em vários albergues durante 7 anos (4 deles com a sua companheira), Acácio sabe como ninguém receber os peregrinos. Seu refúgio recebe todas as nacionalidades, religiões e bandeiras e, junto com Orietta, promovem deliciosos jantares italo-brasileiros em troca de uma doação. Todos se sentam juntos à mesa e dividem histórias, ensinamentos e sorrisos, e por causa de toda essa atenção o lugar virou referência e parada obrigatória para muitos que passam por ali. Convém fazer reserva antecipada, já que são apenas 10 camas e lota rapidamente.

Acácio da Paz, Albergue Acacio & Orietta

That Good Trip: O que você aprendeu desde que abriu o refúgio até hoje?

Acácio: em todos esses anos de Caminho de Santiago, mudou tudo: mudaram as pessoas, a motivação para fazer o Caminho, a tecnologia, o tempo. Como resultado, nós tivemos que adaptar-nos a esse novo Caminho. Não devemos brigar pela volta da peregrinação como era no passado, nem criticar. Muitos albergues acabaram fechando nesse tempo porque não conseguem competir com as novas tecnologias e demandas do peregrino de hoje, o que é uma pena. Eu gosto de conversar sobre isso para entender a situação e me adaptar aos novos tempos.

Albergues brasileiros do Caminho de Santiago

Foto: Albergue Estrella Guia

Albergue Estrella Guia

Cidade: Puente de la Reina

Camas: 8

Telefone: +34 622262431

Reservas: albergueestrellaguia@gmail.com

A história desse albergue é bem inspiradora. Natália, que trabalhava como assessora de imprensa e relações públicas em Porto Alegre, resolveu dar uma pausa e repensar suas prioridades. E no Caminho de Santiago, em 2013, além de ter encontrado as respostas que precisava, conheceu o José, um motorista de táxi espanhol que fala vários idiomas e que a levou de Pamplona a Saint Jean Pied de Port, e desde então não se separaram. Natália deixou o Brasil e os dois montaram o albergue Estrella Guia em outubro de 2014. O nome é em homenagem à maneira carinhosa que sua amiga lhe chamava durante a peregrinação. O casal quer que os peregrinos se sintam em casa e para isso não medem esforços: ela ajuda a “costurar” as bolhas, de vez em quando faz arroz e feijão e, atendendo a pedidos especiais, até brigadeiro. E José continua levando os peregrinos de táxi a qualquer ponto do Caminho. O albergue aceita (e adora) cachorros e cobra 5 euros por noite por bicho. Faça sua reserva para garantir o seu lugar!

Natália e José do albergue Estrella Guia

That Good Trip: O que você aprendeu desde que abriu o albergue até hoje?

Natália: aqui em Puente de la Reina encontrei a minha missão de vida. Procuramos aqui no Estrella Guia refletir muito a virtude da generosidade: um dia você ajuda, e no outro alguém ajuda você. Como os peregrinos chegam muito cansados e com dores depois do Monte do Perdão, algumas vezes mostram o seu melhor e, em outras, o seu pior. Eu precisei me fortalecer para poder entender a sua dor e ajuda-los a seguir em frente, ouvindo seu corpo e integrando os pensamentos com as expectativas. Colocamos regras simples, com muito carinho, como o conceito de “lave os pratos e limpe seus pensamentos”, e pedimos que deixem a mesa organizada antes de sair. Sou muito grata a esses motivos, momentos, encontros e aprendizados do Caminho.

Albergues brasileiros do Caminho de Santiago

Foto: A Casiña di Marcello

A Casiña di Marcello

Cidade: Palas de Rei

Camas: 17

Telefone: +34 640 72 39 03

Reservas aqui

Marcelo é outro gaúcho à frente de um albergue no Caminho. Ele começou a receber peregrinos em 2015 em uma cidade que está nos últimos 100 Km antes de chegar a Santiago: Palas de Rei. Marcelo foi peregrino em 2013 e gostou tanto da experiência que até deixou a Itália, onde vivia há 25 anos, para se dedicar de corpo e alma ao novo estilo de vida. O albergue vem se destacando pela hospitalidade e tratamento que o dono dispensa aos peregrinos, desde a sua recepção com uma bacia de água com sal para relaxar os pés até o jantar com os melhores pratos italianos frescos feitos por ele mesmo. O albergue está na saída de Palas de Rei, a 100 metros depois da rua principal, e por isso seu entorno é tranquilo e sem a agitação da cidade. Uma ótima opção de hospedagem para continuar o seu trajeto e chegar revigorado a Santiago de Compostela!

Marcello, do albergue A Casiña di Marcello

That Good Trip: O que você aprendeu desde que abriu o albergue até hoje?

Marcello: aprendi a exercitar a paciência com os peregrinos e comigo mesmo. Como meu albergue está no final do Caminho, recebo todo mundo, desde as pessoas que começaram em Saint Jean Pied de Port até os de Sarria, e eles têm comportamentos bem diferentes entre si. Gosto muito de ler e aprender sobre outros Caminhos na Espanha, sobre a história desde o período medieval e árabe até hoje, e conto todo esse panorama aos peregrinos depois do jantar. Gosto de ter conversas profundas e interessantes com os peregrinos que passam por aqui.

Hostal Casa San Nicolás

Foto: Hostal Casa San Nicolás

Hostal Casa San Nicolás

Cidade: Molinaseca

Camas: 14

Telefone: +34 695 31 08 72/ 645 56 20 08

Reservas aqui

Essa casa rural de Molinaseca é puro charme. O casal Mara e José Luiz, de São Paulo, fez o Caminho em setembro de 2014 e se encantaram tanto com esse povoado que decidiram se mudar pra lá com o filho e a nora. São 3 suítes, outros 3 quartos duplos com banheiro compartilhado e mais 3 camas extras. Cachorros são bem vindos se uma das suítes estiver disponível, por isso é bom fazer reserva e consultar. Pode-se jantar no local (o arroz e feijão que eles servem faz sucesso entre os peregrinos) e descansar no sofá, como se você estivesse na sala da sua casa. A casa rural fica bem na frente da igreja do povoado e perto do rio, onde os peregrinos costumam se refrescar depois da longa jornada do dia. Rodeada de montanhas, Molinaseca está a 18Km depois da Cruz de Ferro, no Caminho Francês. O hostal está aberto durante todo o ano.

Atualização (2018): Mara e José Luiz também administram o Hostal El Horno, que fica a 20 metros do San Nicolás e possui 7 suítes. Pode-se reservar através desse link.

Luiz e Mara, do Hostal Casa San Nicolás

That Good Trip: O que vocês aprenderam desde que abriram o hostal até hoje?

Mara e Luiz: superou as nossas expectativas. As pessoas chegam a Molinaseca esgotadas, já que é um trecho difícil e muitas são pegas de surpresa. Nós as recebemos com um copo d’água, bacia com água para os pés, e todo o carinho e cuidado que elas precisam. Todas as noites servimos arroz e feijão a todas as nacionalidades, e nos surpreendemos ao ver australianos e americanos (e outras nacionalidades) comendo e repetindo até 3 vezes! É o momento em que as pessoas se abrem, contam suas histórias e interagem, e nós damos dicas sobre as seguintes etapas e até fazemos reservas. As pessoas se sentem em casa e nós nos damos conta que fizemos a escolha certa de abrir este hostal em família.

Albergue do Brasil - El Roble, Vega de Valcarce

Foto: Albergue do Brasil – El Roble, Vega de Valcarce

Albergue do Brasil – El Roble

Cidade: Vega de Valcarce

Camas: 18

Telefone: +34 634 24 26 42

Reservas aqui

Desde que Braulio de seu amigo Júnior, os dois de Macaé (Rio de Janeiro), fizeram o Caminho Francês pela primeira vez em 2015, eles não conseguiram mais deixa-lo de lado. Os dois sempre tiveram o sonho de ir ao Caminho, mas ver o filme “The Way” foi a gota d’água. Depois de terminar a 4ª peregrinação, em 2017 (pela rota Portuguesa), eles foram além e abriram o Albergue do Brasil – El Roble, em Vega de Valcarce, cidadezinha onde tiveram a melhor experiência de todo o Caminho. O albergue fica aberto o ano todo e aceita reservas, principalmente na alta temporada e no inverno. Oferece café da manhã e jantar, e há um café-bar onde o peregrino pode pedir lanche durante todo o dia. Eles também fazem transfer de bicicletas e de mochilas até O Cebreiro. O mais interessante é que nada lá tem um preço fixo: no final da estadia a pessoa avalia a qualidade do serviço recebido e coloca na caixinha o valor que desejar.

Braulio e Junior, Albergue do Brasil

That Good Trip: O que vocês aprenderam desde que abriram o albergue até hoje?

Braulio e Junior:

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Guia Caminho de Santiago

 

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About the Author

Jornalista e travel blogger. Aprende o que o mundo ensina e inspira as pessoas a viajarem. Já morou na Finlândia, já trabalhou na Disney, fez o Caminho Inca e foi como peregrina a Santiago de Compostela algumas vezes. Vive atualmente em Madri e continua transformando seus feriados e férias de 23 dias ao ano nos melhores períodos da sua vida.



14 Responses to Albergues brasileiros no Caminho de Santiago

  1. Mara Xavier says:

    Oi Suzana, agora tem a nossa Casa Rural San Nicolas em Molinaseca. Entre em contato comigo ou com a Erika se quiser mais detalhes. Estamos esperando os peregrinos brasileiros com carinho e conforto.
    Abraço,
    Mara Xavier

    • Suzana says:

      Olá Mara, obrigada pela informação! Foi um prazer conversar contigo pelo Skype hoje e já vou fazer a alteração no texto. Que bom ter mais brasileiros no Caminho. Um abraço!

  2. Luiza Cavalcanti says:

    Gente, o albergue do Acácio e da Orietta recebe bicigrinos. Eles são um dos grandes incentivadores deste tipo de peregrinação através do Movimento Bikeline.

    • Suzana says:

      Oi Luiza, você tem razão. E quem for ficar lá é melhor reservar porque são poucos lugares, pra não correr o risco de chegar e estar cheio. Um abraço!

  3. Parabéns pelo blog!

  4. Carlos Alberto Peçanha says:

    Meu nome e Carlos desejo fazer o caminho no ano que vem , estou me preparando atrás de informações. adorei suas explicações. Também desejo ser voluntário se algum albergue de brasileiro precisar estou a disposição por ate um ano inteiro.

    • Suzana says:

      Olá Carlos, que ótimo saber isso! Se precisar de alguma informação em concreto, é só me escrever aqui. Eu deixei o contato no post caso você queira ser voluntário, entra em contato que há muitos albergues precisando de ajuda! Mas como voluntário só dá pra ser por 15 dias, mais que isso você precisaria ser contratado. Um abraço!

  5. Alfredo says:

    Muito bom.e saudade de quem passou no jacobeu!! Acácio, na época, nos atendeu ,chegando após 46 km, muito bem!! Loucura não faço mais !! ABS

    • Suzana says:

      Oi Alfredo! Que coragem ir no Jacobeu! O Acácio é ótimo 🙂 eu já fui na Semana Santa, que também é cheio, mas ia fazendo etapas menos concorridas e visadas, assim não tive problemas… Um abraço!

  6. Olá Susana.

    Como o Edson comentou anteriormente meu nome é Natan de Souza, sou de SP e estou no caminho desde 2013, onde sou responsável do albergue La Fuente del Peregrino que está no km 75 do caminho De Santiago.

    Cada año recebemos equipes que vem do Brasil como voluntários porque somos um albergue de doações. Este vieram de voluntarios de São Paulo, de Brasília, de Marília e Campinas.

    Nossas podrías estão abertas de maneira especial a todos os brasileiros que passem por aqui, nosso site é: lafuentedelperegrino.com

    • Suzana says:

      Olá Natan, tudo bem? Eu fiquei aí em 2015 e fui muito bem recebida! Eu falei de vocês nesse post: http://www.thatgoodtrip.com/como-escolher-um-albergue-no-caminho-de-santiago/
      A matéria dos albergues brasileiros é sobre os albergues cujos proprietários são brasileiros. Não sei como funciona o La Fuente del Peregrino, mas eu achava que ele era da igreja, e os voluntários e responsáveis vão se revezando pra manter ele aberto. É assim?
      Parabéns pelo excelente trabalho, eu sempre passo pra tomar um café e dormir aí foi um oásis no meu Caminho. Um abraço!

  7. Luci Oliveira says:

    Olá Suzana, pretendo fazer o caminho em maio de 2019, de bicicleta. Vi que o Refúgio de Acácio e Orietta recebe bicigrinos. E os outros albergues que listas aqui, também recebem bicigrinos? Provavelmente seremos 3 ou 4 pessoas, saindo do Rio Grande do Sul.

    • Suzana says:

      Olá Luci! Os albergues dessa lista são todos privados, isso quer dizer que é só você fazer a reserva e perguntar se eles têm espaço pra guardar a bicicleta. Normalmente, nos albergues públicos, os bicigrinos precisam esperar que todos os peregrinos a pé tenham entrado e, se sobrar vaga, os bicigrinos podem ficar neles. Mas nos privados é diferente 🙂 se você quiser ficar tranquila, escreva pra eles e veja se têm espaço pra 4 bicis. E reserve, porque são albergues pequenos, com poucas camas. Os links estão todos no post. Bom Caminho!

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