Experiências Voluntariado-pelo-mundo

Published on | by Suzana

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Como fazer voluntariado pelo mundo

Continuando com a série especial do blog That Good Trip sobre Trabalhos no Exterior, hoje eu vou falar sobre como fazer voluntariado pelo mundo.

E, para ilustrar o 4º post da lista, contaremos a maravilhosa experiência do Fábio Nilo e do João Compasso, duas pessoas geniais que conheci há alguns anos em Madrid.

[bctt tweet=”Afinal, quem não gostaria de sair por aí e fazer trabalho voluntário fora do país?” via=”no”]

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Mas essa não é uma viagem qualquer pra fazer voluntariado… Fábio Nilo, administrador de empresas (que hoje mora em Amsterdam), e João Compasso, editor da revista Bossa (que ainda mora em Madrid), resolveram fundar sua própria ONG, a Silent Voices, e com ela viajar durante um ano pelo mundo trabalhando como voluntários em vários países. É um projeto lindo que continua a dar frutos e a despertar nas pessoas a vontade de ajudar, da forma que for, outras pessoas em situações diferentes da nossa.

Confira a primeira parte dessa entrevista e inspire-se no projeto de fazer voluntariado fora do país desses dois amigos.

VEJA TAMBÉM: TRABALHO VOLUNTÁRIO NA ÁFRICA

Como surgiu a ideia de tirar 1 ano para ser voluntário pelo mundo?

Quando nos conhecemos há 12 anos no curso de espanhol, descobrimos que compartilhávamos do mesmo sonho de fazer voluntariado na África. A crença que devemos ser a mudança que queremos ver no mundo e que tínhamos o dever moral de ajudar aos nossos irmãos menos favorecidos nos uniu em torno desse projeto. Sentíamos que muito nos havia sido dado nessa vida e que nada melhor que retribuir isso ajudando aos que não tiveram a mesma oportunidade.

De onde vem a inspiração para o nome do seu Projeto/ONG?

Escolhemos esse nome no Quênia após meditarmos bastante em diversas opções. Optamos por Silent Voices porque representa a voz da nossa própria consciência. Todos os dias ela nos chama a fazer o bem, a praticar a caridade, a evoluir como espírito, embora muitas vezes fingimos não escutar.

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Por que decidiram fazer voluntariado na África e Ásia e não no Brasil, onde também existem muitas crianças carentes?

A caridade é algo que podemos (e devemos) realizar independentemente da forma e da localização geográfica. Verdadeiramente, não é preciso viajar 10.000km para fazer a diferença na vida dos mais necessitados. Todos os dias temos milhares de oportunidades de ajudar dentro da nossa própria família, da nossa comunidade e do nosso país (até mesmo com um simples sorriso). A nossa escolha de, durante um ano, ultrapassar as barreiras de nossa pátria e estender nosso amor em continentes esquecidos, não exclui nosso dever perante nossos irmãos mais “próximos”. Temos que ajudar sem olhar a quem, sempre que pudermos. Fazer voluntariado na África e na Ásia é um sonho antigo que há tempos queríamos realizar, mas o trabalho voluntario já fazia parte das nossas rotinas desde antes. Apesar da pobreza do Brasil, tiveram coisas que apenas vimos na África e Ásia, situações sobre-humanas, crianças morrendo em 48 horas devido uma simples bactéria, porque não existia antibiótico nos postos de saúde. A África é algo inexplicável. Apos nossa experiência pelo continente esquecido, trabalhamos em várias campanhas à distância, entre elas duas que estão no Brasil. Através das doações de amigos, conseguimos bancar os custos de uma criança na AACA (Recife) e atualmente acabamos de conseguir doações para furar um poço em Manari (Sertão de Pernambuco).

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O que aprenderam de mais importante ao fazer voluntariado internacional?

 A experiência como um todo foi de grande aprendizado. Muitas das constatações nós já havíamos ponderado antes mesmo da viagem começar, mas na viagem vimos na prática o que era conhecido na teoria.

  • que nossos problemas são muito pequenos perto dos que vivem completamente à margem da sociedade.
  • que 1€ é suficiente para alimentar uma família por um dia no Quênia, Nepal, Camboja, Filipinas e indonésia.
  • que eles extraem felicidade de coisas que a maioria das pessoas nunca sonhou em fazer.
  • que a felicidade definitivamente não está vinculada ao ter.
  • que tem mais quem deseja menos.
  • que fazer o bem semeia jubilo para sempre na vida dos mais desafortunados e a si próprio igualmente.

Durante nossa jornada, nossa definição sobre a felicidade mudou completamente. Dormir em uma cama confortável e tomar um banho quente de chuveiro durante o voluntariado passaram a nos trazer uma alegria imensurável, o que nos leva a crer que no dia a dia acabamos nos esquecendo da beleza e da grandiosidade das sutilezas e dos pequenos detalhes.

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Quais foram os principais desafios/ problemas que encontraram no desenvolvimento de cada trabalho durante o período de voluntariado internacional?

A principal dificuldade que sentimos foi a sensação de impotência por ver tanta gente em situação de extrema pobreza sabendo que não seria possível ajudar a todos. Dependíamos das doações de nossos amigos (que eram bem limitadas) e só alguns eram beneficiados. Essa realidade era chocante e tínhamos que lidar com ela diariamente.

Éramos vistos como “dólares ambulantes”, o que nos representava um desafio sempre que precisávamos adquirir algo ou contratar algum serviço. Tínhamos que negociar bastante, pois os preços sempre eram superfaturados. Apesar de sermos bons negociadores, era muito cansativo fazer isso diariamente, várias vezes ao dia.

Fora isso poderia pontualizar:

  •  Infraestrutura precária – dormíamos na mesma cama, tomávamos banho de cuia (agua fria), eletricidade nem sempre era frequente, as viagens terrestres eram longas, cansativas e por vezes perigosas.
  • Comunicação limitada com os mais desfavorecidos – conhecimento de inglês era raro e quando existia era limitado
  • Alimentação restrita (para os padrões da classe media)
  • Malária, infecções e outras doenças relacionadas com a falta de higiene/saneamento básico nos desafiavam diariamente

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Com quanta antecedência começaram a se preparar para essa viagem de voluntariado fora do país?

Dois anos antes nos reunimos periodicamente para debater sobre o projeto. Mas somente no último ano o planejamento massivo foi realizado. Durante esse ano foram definidos os países que iríamos trabalhar, os que iríamos visitar como turistas, todas as instituições (com exceção de “Bandung Inclusive School” na Indonésia, que surgiu quando já estávamos lá) que viríamos a ajudar e as atividades que viríamos a desenvolver.

Enquanto aguarda pela segunda parte da entrevista, conheça melhor o site da ONG Silent Voices e a sua página do Facebook.

Crédito de todas as fotos: arquivo pessoal 

VEJA TAMBÉM: TRABALHO VOLUNTÁRIO EM FAZENDAS ORGÂNICAS WWOOF

 

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About the Author

Jornalista e travel blogger. Aprende o que o mundo ensina e inspira as pessoas a viajarem. Já morou na Finlândia, já trabalhou na Disney, fez o Caminho Inca e foi como peregrina a Santiago de Compostela algumas vezes. Vive atualmente em Madri e continua transformando seus feriados e férias de 23 dias ao ano nos melhores períodos da sua vida.



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